Tenho uma frase aqui: “Árabes, israelitas, iranianos, todos dividem algo da cultura, mas o que tem causado tanto sofrimento aos nossos povos é a política”. Quem a disse, foi uma professora e escritora iraniana, nesta semana, à uma repórter do Estadão. A professora chama-se Azar Nafisi, participou de um evento literário aqui no Brasil (Flip – Festa Literária Internacional de Paraty/RJ).

Azar Nafisi, foto de Tasso Marcelo/AE (Tirei do site do Estadão)
Quando li a frase, logo anotei num bilhete. Guardarei para a posteridade. Nafisi argumentava sobre o caso polêmico em que uma mulher foi condenada a morte por apedrejamento, no Irã, “país de Ahmadinejad”. Prá não gerar dúvidas, “a condenada” não apedrejou ninguém. Querem matá-la a pedradas mesmo. Sakineh é o nome dela.
A condenação, segundo a escritora, não é muito comum no país, mas ainda persiste. Ela conta que além de Sakineh, existem outras “na fila da pedrada”. A moça é acusada de praticar adultério (atitude inconcebível em muitos países). Já mostrei aqui no blog o que fazem com meninas na África e na Ásia para que não venham a cometer adultérios no futuro – cortam-lhes o clitóris, ainda jovens. Clique para ler. Contudo, não entro em detalhes, prefiro seguir o rumo da conversa.
Em questão de minutos vi, na internet, duas notícias a respeito da violência contra mulher. A primeira fala a respeito de uma cantora norte-americana famosa que apanhou do namorado e agora participou de um clipe musical onde faz referência à violência doméstica. A outra notícia é que, no Rio de Janeiro, a cada hora, um processo é aberto por violência contra mulheres. Se pesquisar, tem muito mais.
Mas voltemos os olhos ao início do texto para reler a frase de Azar Nafisi. Ela, de certa forma, responsabiliza a política por ainda ocorrerem coisas assim (o Irã é bem diferente do Brasil). Por um lado ela tem razão, mas não seria a política a única (ir)responsável. Há mais a quem “culpar”, principalmente nos países ocidentais.
No entanto, já que o assunto discorreu e caiu em política, concluo com política. Estamos em ano eleitoral. São propostas, promessas, ilusões. Grande parte dos candidatos trabalha nesta perspectiva. E somos nós (povão brasileiro) quem os escolhe para nos representar. Sempre foi assim, sempre será. O Pouco representa o muito.
E nessa perspectiva de que o pouco representa o muito, pensemos na mensagem que Sakineh, Ahmadinejad (mais o Lula, se alguém achar que deve ficar dentro da história) nos passaram. Não há como fugirmos da política. Por mais que digamos, “quero nem saber de política”, seremos sempre parte/dependente dela. Se a ignorarmos, assinaremos nosso papel de marionetes num teatro com bobos da corte. Façamos política com responsabilidade!
Obs.: o fato de anotar a frase aprendi ao ler um senhor chamado Luiz Carlos Prates.